Pai João da Caridade/Aceitação/ sacrifício e resignação

Palavras de Pai João da Caridade.

Sacrifício e Resignação

Esta mensagem é destinada para meus irmãos que atuam juntamente com a espiritualidade através da mediunidade.

Aceitação, sacrifício e resignação.
Antes da alvorada éramos todos despertados, nos davam pão e leite, as vezes lavagem, saímos com o céu a clarear, nossas mulheres entoavam seus cantos, o nego revoltado murmurava baixinho seus lamentos, e nego fujão agonizava no tronco, um aviso para todos os escravos.
João sorria, como poucos de nós João sorria, o sorriso de João irritava até mesmo seus irmãos de cor, como João sorria? João nasceu escravo, nunca soube o que era a liberdade, não sabia o que era ser livre, ele não vinha de Angola, nasceu no cativeiro.
Porém, poucos sabiam que João sonhava, acreditava que um dia poderia saber o que ia além do cafezal, ouvia histórias de cidades distantes, do mar grande e muito mais.
João sabia curar, não passava todo o dia no cafezal, ia para lá de manhã e quando paravam para se alimentar, podia ir a casa grande. Cuidava dos cavalos e animais de estimação rezava uma reza estranha que aprenderá com Pedro Ancião e as vezes era chamado a rezar os Bicho do Sinhô.
E João sorria, fazia tudo com perfeição e isso incomodava seus irmãos, incomodava mais ainda, Claudio, rapaz jovem forte, mulato que gozava de dormir com os trabalhadores brancos da fazenda, Claudio ia até cidade e podia usufruir de muito privilegio, rápido, bom atirador e muito forte era ele que segurava firme o chicote nos castigos determinados por seu senhor, e era ele também que perseguia aqueles que se aventuravam a fugir, quase ninguém escapava de Claudio, ou era morto ou recapturado, chicoteado e assassinado no tronco.
Aqueles que não morriam eram curados por João, João curava o corpo mas gostava mesmo de curar o Espírito e a Alma de seus irmãos, João era incompreendido quando falava em aceitar as coisas da Vida, falava que Ancião Pedro o havia ensinado isso e por conta desse ensinamento, João era feliz. Ele explicava com carinho que a plantas nasciam morriam e por mais que as regasse-se, e o sol a iluminasse, mesmo assim um dia ela iria morrer, e assim era toda vida. Porém, dizia não compreender com clareza por que o negro merecia ter a vida toda no cativeiro enquanto o Branco era livre, porem aceitava e dizia que tudo tem um porquê, e um dia ele iria entender.
Claudio gostava de João, gostava de tirar o sorriso de João, algumas vezes quando todos voltam para senzala, Claudio ficava a frente da fila olhando nos olhos e na face de cada Nego, Nos Negos com olhos de fúria ele balançava seu chicote, já com João era diferente, ele não suportava a alegria do Negro que nada tinha… lágrimas rolavam dos olhos de João.
Vez ou outra essa truculência se repetia.
Certa vez, a Sinhá foi ter seu bebe, mas Dandará cuidadora das escravas da casa grande não conseguia trazer o Filho de sinhá, a mãe não dava passagem ao filho.
Sinhô pediu a Claudio que trouxesse João, bravejando Claudio foi buscar João na Senzala, cheio de ódio por ter que ir buscar seu desafeto, Claudio nada disse, empurrava João para fora da senzala e o empurrava caminho a fora. Na casa Grande João chegava ao quarto, via que sinhá estava quase a perder a consciência, havia feito muito esforço, mas nada de dar passagem ao seu bebe, Dandará preocupava-se com a criança, com a mãe e com ela mesma, sabia que Sinhô não ia tolerar perder seu filho, pior ainda se perder à esposa com seu bebe. João percebeu uma sombra a ganhar forma na cabeceira da cama, era Ancião Pedro, falecido a poucos meses. Ele disse:
– Sinhá guenta João, coração bão, fia boa! Põe a mão João.
João pôs sua mão sobre a barriga de Sinhá e viu Ancião Pedro a fazer o mesmo.
João rezou e rezou, sinhá gemia, se mexia até se acalmar. João então pediu um último esforço… pronto! Nascia pelas mãos de João o filho de Dona Sinhá. João ajudou a nascer esse filho, Branco e Livre para vida. João ficou irradiado de alegria, abraçou Dandará e saiu feliz, Claudio urrava por dentro, naquela noite Claudio não aguentou de ódio. Não aguentava os cuidados e pequenos privilégios que João tinha, naquela noite Claudio pregou João no tronco que sem perguntar o porquê passou a rezar, sentiu a mão de Ancião Pedro na sua e rezou. O Chicote desceu.
João viu mais um milagre, Sinhô vinha trazer-lhe um agrado. Ao ver a cena, Sinhô imediatamente pediu que Claudio parasse com o castigo. Sinhô Chamou Claudio para perto de si e esbofeteou sua face. Disse que não poderia colocar ninguém no tronco sem seu consentimento, João havia levado duas chicotadas. Quando solto dos grilhões tratou de enxugar as lágrimas, Sinhô se aproximou viu lhe as feriadas, mandou que Dandará cuida-se dele, e Sinhô entregou-lhe o agrado, era a Bíblia.
Após esse dia o Ódio de Claudio só aumentou.
João seguia sua vida agora mais confiante que tudo tinha um porque, ele havia feito um bem e recebido outro em troca, estava confiante que tudo estava onde deveria por algum motivo maior. João havia se resignado, porem jamais deixou de sonhar com o mundo além do canavial.
João não sabia ler, e frequentemente pedia aos poucos que sabiam na Casa Grande para falar a respeito daquele livro. Foi assim que João conheceu Jesus e seus Feitos e conheceu o Deus do seu Senhor.
Os anos se passaram, Sinhô deixou a fazenda para Sinhozinho, o mesmo bebe que João ajudara a trazer lhe a vida.
Mas sinhozinho era diferente, nutria um ódio absurdo pelos negros, mas corria pelos cantos da fazenda histórias de estupros que praticava com as mais belas negras da senzala.
Os dias passavam e João estava inquieto, Sinhozinho era muito ruim, João passava todo o tempo no cafezal, já não cuidava mais dos animais e nem podia mais apanhar suas ervas.
Já não havia tanta confiança em seus olhos, era preocupante demais os assassinatos dos bastardos de sinhozinho e a continua fuga de seus irmãos. Alguns irmãos juravam vingança e outros recorriam a magias antigas, João havia se tornando o Ancião que sucederá a Pedro, mas não tinha mais como evitar os rancores e ódio que seus irmãos começavam a nutrir pelos seus carrascos.
João consolava suas irmãs violadas, dava esperança aos jovens que viam a brutalidade desses dias ensinando que tudo naquela vida sofrida era passageiro, mesmo que só com a morte o mal fosse desfeito.
Certo dia João foi chamado às pressas para a Casa Grande acudir Sinhozinho que delirava febril, João, ao adentrar no quarto estremeceu, viu seus irmãos falecidos, os bebes assassinados, todos cobrando e amaldiçoando sinhozinho. Mais uma vez Pedro se fez presente e disse:
– Poderá afastar o mal dele, mas ele está condenado nessa vida, a escolha é sua.
João interveio com piedade e com lágrimas na face, clamou para o juízo de seus irmãos para que perdoassem para serem livres da aquele lugar, disse também que a liberdade estava ao alcance deles e que pedissem seu perdão e perdoassem os males sofridos. Após muitas rezas e muitos gritos de loucuras de Sinhozinho, a mãe de sinhozinho já falecida veio em espírito ajudar na batalha, finalmente os irmãos foram se desligando do jovem rapaz, uns perdoaram e foram libertos ali mesmo, levados aos planos superiores, outros foram amarrados e levados a profundezas esgotar seus ódios. A mãe Clamou a sinhozinho que pedisse perdão pois havia lhe chegando a hora, sinhozinho olhou para João e estendeu sua mão e pediu perdão, João disse que nada havia de perdoar e  que tudo foi como deveria ser. Porém, o Sinhozinho chorou e temeu pelo futuro, pois seus crimes foram muitos. A mãe sabia que não poderia leva-lo, mas ao menos ele foi preparado para suas expiações. Sinhozinho faleceu para nascer na vida eterna com um longo caminho de expiação pela frente.
João sentiu que sua hora também chegou.
Claudio perceberá que os gritos param e entrou no quarto.
Ao ver seu senhor morto, agarrou João pelo pescoço, arrastando João para fora da casa, pegou seus capatazes e foram carregar João até os grilhões, posto à ferro nos troncos, João sorriu, aceitou seu destino e chorou em seguida… o chicote passava de mão em mão à medida que ia cansando, até por fim darem por satisfeitos. Claudio Olhou para João todo moribundo e pediu a João que se pudesse sorrisse, João se esforçou em sorrir… Claudio não se conteve praguejou e ordenou para continuar com o chicote. A senzala labutou, e seu lamento começava a ecoar. Por fim João foi deixado para o sol e para a chuva. 3 dias de agonia, quase à beira da loucura João foi solto. Era seu antigo sinhô que voltou a fazenda com a morte do seu filho, vinha até a senzala, porque havia sonhado na noite anterior com sua esposa, ela pedia para libertar João.
Sinhô disse:
És livre João! És Livre!
João fechou os olhos para o mundo dos vivos, e quando abriu estava num quarto, limpo com aromas florais e um jarro d’água sobre uma mesa.
João olhou em volta e uma porta se abriu, era Pedro o Ancião.
Pedro disse, és livre meu fio!
João chorou imensamente abraçado a seu mestre.
Pedro disse:
– Nosso povo carece de vois, vois perdoou a tudo, aceitou a tudo e no fim não perdeu a fé, Deus mandou o auxílio e a liberdade. Vamos voltar e, juntos ensinar a nosso povo a aguentar com esperanças o dia do fim desse lamento.
E João foi iniciar um trabalho de amor, caridade e resignação, todo o mal fora lavado com o sangue do chicote, nada mais havia de mal no Velho Negro há não ser esperança, e uma fé inabalável. E um novo nome. Pai João da Caridade.
Que todos possam receber com amor o caminho que lhe foi dado, e com sacrifício e resignação deixem o lamento de lado e abracem com fé a vossa vida.
Hoje sois livres, usem com sabedoria a vossa liberdade!
Sarava!

Pai João da Caridade

Salve, Salve, Pai João da Caridade
Salve, Salve, nosso caro Protetor
Envia-nos e à toda humanidade
Bênçãos reais de fraternal amor!

Os anjos do alto com fervor Te aclamam
Ó Pai João, como és consolador
Nos corações, imprimes dos que Te amam
O Teu nome, sinal que vence a dor!

Trevas tão densas, na vida surgem agora,
Cobrem o mundo de dor, luto e pecado,
Vinde à nós, vinde à nós, clarões da aurora,
Fazei que o mundo seja iluminado!

Salve, Salve, Pai João da Caridade
Salve, Salve, nosso caro Protetor
Envia-nos e à toda humanidade
Bênçãos reais de fraternal amor!

À ti, ó Pai João, a voz Divina ordena:
Eis que já é tempo, a Tua Missão de Glória,
Vai, pois cumprir, despreza a dor e a pena
Jamais descreias da final vitória

Avante Pai João, o teu amparo é Deus,
O mesmo Deus que a dor vem suavizar,
Da mentira rasgar deves os véus,
Que a Nova Luz está prestes à raiar!

Salve, Salve, Pai João da Caridade
Salve, Salve, nosso caro Protetor
Envia-nos e à toda humanidade
Bênçãos reais de fraternal amor!

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